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MUSEU DE ARTE MODERNA - MAM

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O lado arte do Blindex

O vidro ganha status com o trabalho de Mário Fraga: deixa de ser mero suporte para ser alçado à condição de obra de arte. Nada a ver com os conhecidos vitrais. O que interessa ao artista é a descoberta do que não existe. Não existia, diga-se de passagem. Depois de três anos pesquisando a pintura entre vidros laminados no galpão de sua patrocinadora, a Blindex, ele chegou a uma nova integração entre arte e indústria. O resultado pode ser visto a partir de hoje no MAM numa grande instalação de cerca de 50 placas suspensas do teto de um dos maiores espaços do museu.

Em todas as peças, linhas de geometria abstrata surgem em tons roxos e róseos formando suaves transparências. Para o artista a obra é a própria “materialização da visibilidade”.

O vidro passou a interessar Mário Fraga em 1988 quando realizou sua última exposição na Petit Galerie e apresentou pinturas sobre papel coladas em vidro, mas sem usar transparência. De toda forma, foi o começo de uma nova etapa na trajetória deste artista que aos 44 anos já soma 20 de carreira. Começou com 14 anos frequentando a Escolinha de Arte de Augusto Rodrigues e desde então passou por fases bem diversas. “Comecei quase primitivo e cheguei perto do surrealismo, isso depois de um período figurativo-expressionista”, conta.

Essas são experiências ultrapassadas mas que, de alguma forma, estão incorporadas em seu novo trabalho. Na atual mostra as pinturas são todas abstrações geométricas, mas algumas são construtivistas, racionais, como os traços feitos quase a régua, e outras mais expressionistas, emocionais, mas ainda abstratas. Esta última característica pode ser observada no quarto conjunto que compõe a exposição, formada por um total de cinco séries.

Tudo começa com um imenso móbile formado por 18 pequenas peças de 89x80cm que acompanham a espiral da escada principal do MAM ( a que leva à sala de exposição do segundo andar).

“As placas seguem o movimento da escada e o público já entra na mostra através da própria obra”. O segundo conjunto é o de maior impacto. Também conjunto de móbiles em formato modular com 16 peças de 1,60x1,60 m e que funcionam na vertical, penduradas no teto.

Elas giram no espaço criando sempre um novo efeito. “Este é um dos aspectos mais interessantes deste trabalho. Com vidro suspenso, ganho o espaço, a terceira dimensão, em vez de me limitar à bidimensionalidade da pintura na parede”, analisa Mário Fraga.

Apesar da afirmação, o artista ainda não abandonou totalmente a pintura tradicional, que está presente em um dos conjuntos desta mostra. São cinco telas em acrílico, de 2,10x1,30m, que compõe a parede ao fundo do salão. “Elas representam o início da geometria construtiva, do abstracionismo geométrico na minha pintura”, explica. Completa a exposição uma série de conjuntos de três divisórias cada, que formam grandes biombos. São painéis formados por módulos de 2,25x1,50m, o único setor não suspenso da exposição.

Nesta arte que mexe com a indústria e toca na arquitetura, “ a mais antiga expressão na história da arte”, o grande alvo é o empreendimento de vulto, tanto que o sonho de Mário Fraga é cobrir um prédio inteiro com seus laminados coloridos com uma tinta especial criada por ele mesmo. Um segredo que ele não revela até sair a patente, mas outros processos de sua arte são bem explicados num livro que será lançado junto com a inauguração da exposição, e que leva o mesmo título: In Vitro. Comentado por Luís Carlos Mello, curador do Museu da Imagem do Inconsciente e pela artista Lygia Pape, numa edição da Salamanca.

Uma oportunidade para entrar num universo de “transparência, translucidez e reflexos” obtidos de uma técnica industrial antes que Mário Fraga se mude com seus vidros para o MASP, onde estará com esta mesma exposição a partir do primeiro semestre do ano que vem.

Denise Morais

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